domingo, 6 de junho de 2010

O caminho nuclear brasileiro

Por que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi fazer um acordo nuclear com o presidente do Irã e da Turquia?
O Irã é um país isolado pelos EUA e Israel, e com dificuldades para comercialização de qualquer produto. Colocando de lado o conflito em si (embargo dos EUA e Israel e isolamento cada vez maior da comunidade internacional ao Irã), abriu-se uma oportunidade de comercialização com o Irã, em bases vantajosas (argumento do Presidente Lula), de um produto que pouco se fala dele no Brasil, o Urânio, e este combustível interessa ao Brasil, e ao Lula interessa a presidência da ONU. Combustível barato e projeção internacional.
O Brasil não produz todo o urânio que usa em Angra 1 e 2, importando parte deste de outros países. Quem detém o monopólio de todo o processo do urânio que vai desde a mineração, passando pela conversão, enriquecimento, reconversão, pastilha e elemento combustível é a Indústrias Nucleares do Brasil-INB, a mineração e a produção de concentrado de urânio são feitas na INB em Caetité (Lagoa Real)-BA e a Fábrica de Combustível Nuclear-FCN da INB em Resende-RJ faz o enriquecimento, a reconversão e as pastilhas de urânio para alimentar Angra 1 e 2.
O que está acontecendo no Brasil? No programa nuclear brasileiro feito pelo Ministério de Minas e Energia está prevista a construção de 4 a 8 reatores com mais de 1000MW de energia nuclear até 2030. No dia 31 de maio de 2010, a Comissão Nacional de Energia Nuclear-CNEN concedeu autorização para a construção da usina de Angra 3 e a Eletrobrás Eletronuclear pode iniciar as obras imediatamente e o prazo previsto para conclusão é de 66 meses. O próximo passo do programa nuclear brasileiro é a construção de duas usinas eletronucleares no nordeste. A região considerada de interesse fica na faixa litorânea compreendida entre Salvador e Recife. Após a construção destas usinas no nordeste será a vez de implantar mais duas usinas nucleares no sudeste até o ano de 2030. Após 2030 serão construídas uma usina nuclear por ano até 2060, segundo o Ministro de Minas e Energia Edison Lobão.
A retomada do programa nuclear brasileiro, paralisado a vinte anos, acontece praticamente nos bastidores de tudo o que está sendo noticiado. Poucos veículos de comunicação divulgam, porém o programa é amplamente realizado com acordos internacionais para comercialização de máquinas, equipamentos e reatores nucleares, comercialização e enriquecimento de urânio. Nacionalmente a construção de Angra 3 e a escolha de sítios para a implantação das usinas nucleares, ampliação da capacidade interna brasileira de mineração em Lagoa Real-Caetité - BA e Santa Quitéria - CE e processamento. A INB está investindo para se tornar autossuficiente no processo de enriquecimento até 2014 para abastecer Angra 3 e os investimentos estão previstos até 2030.
O planejamento nuclear no Brasil já foi feito, agora, está na fase de execução.

Fontes de informações:
http://www.eletronuclear.gov.br
http://www.senado.gov.br/web/comissoes/cct/ap/AP20070809_INB_AlfredoTranjanFilho.pdf
http://www.eletronuclear.gov.br/noticias/integra.php?id_noticia=906
http://www.mme.gov.br/mme/noticias/destaque2/destaque_0074.html
http://www.mme.gov.br/mme/lista_destaque/destaque_026.html
http://noticias.r7.com/brasil/noticias/brasil-quer-construir-30-usinas-ate-2060-diz-edison-lobao-20091002.html
http://www.energiahoje.com/brasilenergia/noticiario/2010/01/01/401280/uranio-para-dar-e-vender.html


Por Roberto M. Pereira
"Todo o poder emana do povo, e este é um princípio fundamental e informação é poder."